02/05/2026

A CIDADE DE SÃO LUÍS GONZAGA DO MARANHÃO RECEBEU O PROJETO FAZER + COM O APOIO DA DEPUTADA SOLANGE ALMEIDA

O compromisso com o cuidado e a qualidade de vida ganhou um novo capítulo em São Luís Gonzaga do Maranhão. Recentemente, a cidade recebeu com entusiasmo o Projeto Fazer+, uma iniciativa da Deputada Estadual Solange Almeida, que tem transformado a realidade de diversas comunidades maranhenses.

Cuidado que Gera Diferença

O evento foi marcado por uma estrutura completa para atender a população. Através do Ônibus Móvel, o projeto ofereceu serviços essenciais em diversas frentes:

Saúde Bucal: Atendimentos odontológicos especializados.

Beleza e Autoestima: Serviços de estética, como design de sobrancelhas, levando mais confiança para as mulheres da região.

Saúde Geral: Consultas e orientações com profissionais qualificados.

União e Gratidão

A Deputada Solange Almeida esteve presente, reforçando o vínculo com os moradores e ouvindo as demandas locais. "Este é um projeto de saúde, de cuidado com a beleza e atenção odontológica. Agradeço a recepção calorosa de São Luís Gonzaga", destacou a deputada em meio a abraços e sorrisos da comunidade.

Gorete, uma das lideranças locais que acompanhou a ação, expressou a alegria da cidade: "Estamos de parabéns por ter uma deputada atuante que traz um projeto tão maravilhoso para nós. Contamos com você!"

O Trabalho Não Para

O Projeto Fazer+ reafirma sua missão de levar dignidade e assistência para quem mais precisa. A passagem por São Luís Gonzaga do Maranhão é mais uma prova de que, com parceria e dedicação, é possível fazer muito mais pelo nosso povo.


ELEIÇÕES: A "FUTEBOLIZAÇÃO" DA POLÍTICA: O ALERTA DE ROBERTO ROCHA SOBRE A POLÍTICA MARANHENSE E NACIONAL

Em entrevista recente, o Senador Roberto Rocha trouxe reflexões profundas sobre o estado atual da política no Maranhão e no Brasil. Com um tom crítico, mas propositivo, o parlamentar abordou temas que vão desde a estrutura partidária até o comportamento do eleitor, alertando para os perigos de tratar a gestão pública como uma disputa de torcidas.

### O Sequestro dos Partidos e a Polarização

Um dos pontos mais fortes da fala do senador foi a denúncia sobre o "sequestro" das legendas partidárias. Segundo Rocha, com exceção de poucos casos como o partido Novo, a estrutura partidária no Maranhão foi dominada por interesses que ignoram a diversidade da sociedade.

Ele utilizou o termo **"futebolização da política"** para descrever o fenômeno onde o eleitor deixa de ser um cidadão crítico para se tornar um "torcedor".

> *"O eleitor vira torcedor. Mesmo que o time esteja péssimo, o que interessa é que ele ganhe. Essa disputa de lados sequestra a meritocracia, a competência e o debate técnico de soluções"*, afirmou o senador.

### Política vs. Judiciário: O Papel de Cada Instituição

Rocha também criticou a confusão de papéis entre os poderes. Ele destacou que não é saudável para a democracia quando políticos buscam o Judiciário para resolver disputas que deveriam ser decididas no voto ou no debate parlamentar. Para ele, o povo é quem deve controlar o poder, e não o contrário.

### Legado Legislativo e Atuação Propositiva

Apesar das críticas ao cenário atual, o senador demonstrou satisfação com sua produtividade no Senado. Ele ressaltou que sua atuação é pautada por uma **agenda legislativa acentuada**, com várias leis de sua autoria que foram objeto de iniciativa parlamentar direta.

Para Roberto Rocha, o propósito da política deve ser sempre o bem comum e a entrega de resultados técnicos que melhorem a vida da população, fugindo do emocionalismo barato que muitas vezes domina as campanhas.

### **O que você acha dessa análise?**

A política deve ser tratada com a paixão de um torcedor ou com o pragmatismo de um gestor? 

## O Papel dos Partidos e a Representatividade

Os partidos políticos devem funcionar como o conjunto da sociedade, refletindo suas diversas nuances e necessidades. No Maranhão, observa-se uma prática comum que tenta transformar a política em um "grande centrão gourmetizado", o que descaracteriza a essência da representação democrática. É fundamental que as legendas não se tornem grupos isolados, mas sim canais reais de diálogo com o eleitorado, fugindo da ideia de que um grupo é inerentemente melhor que outro.

## A Polarização e a "Futebolização" da Política

A política brasileira enfrenta um cenário de sequestro partidário que cega o eleitor para os problemas reais. Vivemos uma era de "futebolização" da disputa, onde o eleitor se comporta como um torcedor fanático: ele defende seu "time" mesmo quando o desempenho é péssimo. Essa disputa de lados impede que o que realmente importa — o resultado para a população — seja priorizado, transformando a escolha democrática em uma simples troca de camisas.

## Imunidade Parlamentar e Defesa da Constituição

A imunidade parlamentar, garantida pelo Artigo 53 da Constituição Federal, não é um privilégio pessoal, mas uma ferramenta de proteção para o exercício do mandato. Ela assegura que o parlamentar possa proferir seus discursos e opiniões, por mais ácidos que sejam, sem o medo de retaliações judiciais imediatas. Sem essa garantia, o Parlamento perde sua força e a própria democracia é ameaçada, pois o debate público fica refém de ameaças de processos no Palácio ou no Supremo.

## Desafios Partidários no Maranhão

O cenário político local também é marcado por disputas intensas pelo controle de legendas. Um exemplo recente foi o processo envolvendo o PSDB, que passou por um período de instabilidade jurídica no Supremo Tribunal Federal. Após ser alvo de processos que chegaram a ser arquivados e depois retomados, a legenda seguiu caminhos que impactam diretamente as alianças locais, como as articulações ligadas ao governo estadual e ao número 45 nas urnas.

Aqui estão sugestões de parágrafos para o seu blog, estruturados de acordo com os temas centrais abordados nos vídeos:

## A Crise de Representatividade e a Política Maranhense

A política atual enfrenta um desafio profundo em sua essência: a perda da representatividade partidária. Os partidos, que deveriam ser um reflexo fiel do conjunto da sociedade, muitas vezes acabam se distanciando desse papel. No Maranhão, observa-se uma prática que tenta homogeneizar o debate político, criando uma espécie de "centrão gourmetizado" onde as diferenças ideológicas se diluem em prol de acordos de cúpula. Essa realidade compromete a democracia, pois ignora que a força de uma legenda deve vir da sua capacidade de dialogar com os diversos setores da população e não apenas de arranjos internos.

## A "Futebolização" do Eleitor e a Polarização

Vivemos um fenômeno preocupante que pode ser descrito como a "futebolização" da política. Nesse cenário, o eleitor deixa de ser um cidadão crítico para se tornar um torcedor fanático, defendendo seu "time" partidário mesmo diante de desempenhos medíocres ou resultados pífios. Essa polarização cega impede que a sociedade enxergue o que realmente importa: a entrega de resultados e a melhoria da vida pública. Enquanto o debate se concentrar apenas na disputa de "lados" e no sequestro de legendas por grupos de interesse, o cidadão comum continuará sendo o maior prejudicado.

## Imunidade Parlamentar: Proteção ao Debate, Não Privilégio

Um dos pilares do exercício democrático é a imunidade parlamentar, frequentemente mal compreendida pela opinião pública. Garantida pelo Artigo 53 da Constituição Federal, ela existe para proteger o parlamentar no exercício de suas funções, permitindo que ele utilize a palavra — seu principal instrumento de trabalho — sem o temor de perseguições judiciais por suas opiniões ou discursos. Sem essa proteção, o Parlamento ficaria vulnerável a pressões externas, seja do Judiciário ou do Executivo, silenciando vozes que são fundamentais para o equilíbrio dos poderes e para a fiscalização do Estado.

## O Cenário do PSDB e as Alianças no Estado

As recentes movimentações partidárias no Maranhão, especialmente envolvendo o PSDB e o número 45, ilustram a complexidade das alianças locais. Após um período de instabilidade e disputas jurídicas que chegaram às instâncias superiores em Brasília, a definição de novos rumos para a legenda reflete a influência direta das articulações governamentais. É um exemplo claro de como a política partidária se move entre processos, decisões judiciais e a busca por espaço em chapas majoritárias, onde a escolha de nomes para o Senado e o Governo define o futuro das coalizões no estado.


01/05/2026

DISCURSO DE POSSE, EM 25 DE ABRIL DE 2026, DO POETA E MÚSICO AMADOR VITORIENSE FRANCISCO MORENO DUTRA NA CADEIRA 2 DO QUADRO DE MEMBROS EFETIVOS DA ACADEMIA VITORIENSE

(Patrono: Manoel Beckman)

Senhor Presidente da Academia Vitoriense,

Senhoras confreiras e senhores confrades,

Autoridades aqui presentes,

Meus queridos familiares, amigos de toda a vida e diletos concidadãos de Vitória do Mearim.


Boa noite!


O que chamamos de acaso, na maioria das vezes, é apenas o roteiro sutil, meticulosamente escrito pelas mãos do destino. Há momentos na nossa existência em que o tempo parece suspender o seu voo. Ele nos obriga a parar, a olhar para trás, a contemplar a longa estrada percorrida e a compreender que cada passo, cada alegria, cada tropeço e cada lágrima nos preparavam, de forma invisível, exatamente para o porvir. Transpor os umbrais desta egrégia Academia Vitoriense é, para mim, o cume de uma jornada que teve seu início não no silêncio das grandes bibliotecas ou nos salões de mármore, mas no calor humano, vibrante e verdadeiro das ruas da nossa amada terra.

Agradeço, com o coração transbordando de humildade e de um júbilo indescritível, a imensa generosidade de cada um dos ilustres pares que sufragaram o meu nome. Vocês me permitiram a honra ímpar de ocupar uma cadeira neste cenáculo de sabedoria, dedicado à preservação da nossa identidade. A assunção a esta Casa não representa, em absoluto, o troféu de uma vaidade pessoal. Pelo contrário. Eu a recebo como a aceitação de um sacerdócio cívico e literário, um compromisso irrevogável com a memória, com a força da palavra e, acima de tudo, com o povo aguerrido da nossa Baixada Maranhense.

O grande filósofo espanhol Ortega y Gasset imortalizou a máxima de que "eu sou eu e minhas circunstâncias". Pois bem, minhas senhoras e meus senhores, as minhas circunstâncias têm nome, têm cheiro, têm cor, têm som e têm endereço: elas se chamam Vitória do Mearim.

Foi neste abençoado chão que eu nasci, no dia 07 de junho de 1980, no bairro Tapuitapera, na casinha ao lado da velha usina de arroz. Aqui, sob este céu equatorial, os meus olhos se abriram para os mistérios do mundo, e minha alma foi forjada, dia após dia, na argila úmida, misteriosa e fértil de nossas margens. Vivi nesta cidade, imerso em sua essência mais pura, até o ano de 1999. Naquele momento, o imperativo da vida, a necessidade do crescimento e a busca por novos horizontes profissionais e acadêmicos me forçaram a arrumar as malas e mudar para a capital, São Luís.

Foram dezenove anos ininterruptos vivendo o pulsar desta cidade. Ao rememorar esse período fundacional da minha existência, sinto a doce e inevitável melancolia de quem desfrutou de um tempo que, infelizmente, não volta mais. Um tempo em que a pressa não ditava os nossos dias, em que stories e curtidas não existiam, em que as portas das casas permaneciam abertas, e em que a confiança no vizinho era o maior patrimônio de uma família.

Cresci embalado pela correnteza majestosa do nosso imponente Rio Mearim. Quantas e quantas vezes, na efervescência da juventude, movido por aquela liberdade plena que só a infância no interior nos proporciona, não banhei e nadei naquelas águas turvas? O rio, com seu fluxo constante e sábio, ensinou-me a primeira grande lição de filosofia: a de que a vida é um eterno seguir adiante, contornando os obstáculos, mas sabendo que a nossa nascente nunca nos abandona. Foi nessas águas, correndo por entre as belezas e as lendas da nossa região, mergulhando sem medo de ser feliz, que eu construí uma bela história. Fui irremediavelmente moldado por esse ambiente, e nele criei laços profundos de amizade. Vínculos fraternos, inquebráveis, forjados na inocência, e que, com muito orgulho, mantenho vívidos e pulsantes até os dias de hoje.

Posso dizer que a minha primeira e mais rigorosa academia foi a própria cidade. Estudei em nossas escolas desde as primeiras letras até a conclusão do ensino médio. Mas as lições dos livros e cadernos inevitavelmente se misturavam às grandes lições da vida ao ar livre. Como apagar da memória os lugares icônicos que desenhavam a geografia da nossa alegria cotidiana? Lembro-me, com a vivacidade de quem ainda hoje sente o aroma doce no ar, das tardes inesquecíveis no Sítio do Felisberto. Aquele lugar era, para nós, um verdadeiro paraíso terreal. Era um oásis de verde onde as mangas pareciam ter uma doçura e uma suculência que, lhes garanto, não se encontra em nenhuma outra parte do mundo. Colher, descascar com os dentes e saborear aquelas mangas sob a sombra generosa do sítio do Felisberto era mais do que um lanche infantil; era um ritual de comunhão com a generosidade da nossa terra.

Contudo, a verdadeira formação do meu caráter, a têmpera da minha vontade, deu-se sobretudo no asfalto quente, na poeira e nas calçadas desta urbe. Frequentei e conheci cada canto, cada beco, cada praça de Vitória do Mearim. E foi justamente por essas ruas e pelas portas vibrantes de nossas escolas que iniciei minha jornada de trabalho, ainda menino, vendendo dindim e pastel.

O sol abrasador do Maranhão queimando sobre meus ombros enquanto eu oferecia o suco congelado nos saquinhos plásticos, ou o aroma inconfundível dos pastéis fritos chamando a clientela, ensinaram-me o valor sagrado do trabalho árduo. Ensinaram-me a honestidade que não se negocia. Ali, aprendi a ler a alma humana com uma clareza, uma empatia e uma profundidade que nenhum tratado acadêmico de sociologia conseguiria me transmitir com igual força.

E como falar das ruas de Vitória do Mearim sem curvar a cabeça para reverenciar aqueles que lhes davam cor, graça e alma? Refiro-me, com muito carinho, às nossas figuras lendárias, aos personagens folclóricos que são os verdadeiros cronistas não diplomados do nosso cotidiano. Lembro-me do Penteado, do Bidicão e do Manecão. Nomes que dispensam qualquer sobrenome formal. Eram homens simples, mas que traziam em si a essência da nossa cultura oral, os causos maravilhosos, as tiradas geniais e a presença constante que dava vida e identidade à nossa cidade. Evocá-los hoje, é, para mim, um ato de estrita justiça poética. É declarar em alto e bom som que a alta literatura também se constrói com as narrativas, as lendas e as memórias daqueles que caminham, muitas vezes de pés descalços, pelas nossas calçadas.

Se as ruas me ensinaram a resiliência do comércio e a dignidade do suor, foi dentro do meu próprio lar que absorvi a mais profunda e definitiva de todas as lições. Minhas senhoras e meus senhores, permitam-me despir-me por um instante do rigor formal para falar do amor mais sagrado que existe. Nasci em uma família numerosa. Minha mãe teve sete filhos. E, como uma verdadeira fortaleza esculpida na mais resistente das madeiras maranhenses, ela nos criou sozinha. Hoje, que todos os meus irmãos trilham caminhos de honra e decência, o meu coração se ajoelha em reverência a ela. Minha mãe abdicou de tudo nesta vida. Esqueceu-se de si mesma, de seus próprios anseios, para viver inteiramente em função de cuidar de nós. A sua existência foi um longo e silencioso poema de renúncia. E aqui reside o maior dos paradoxos que o mundo me apresentou: essa mulher formidável, que não teve a oportunidade de frequentar os bancos escolares e que sabia escrever apenas o seu próprio nome, foi, de longe, a intelectual mais brilhante, a filósofa mais profunda e a mulher mais sábia que eu já conheci. A sua sabedoria não derivava das enciclopédias, mas de uma intuição divina, de uma força ancestral e de um caráter inabalável que nos guiou na escuridão.

Foi também embalado por esse clima interiorano, de uma cidade pequena mas de sentimentos gigantes, que o meu coração conheceu o amor. Foi nas ruas e nos encontros proporcionados por Vitória do Mearim que conheci a minha esposa, a minha grande paixão de adolescência (especificamente, na velha igrejinha Assembleia de Deus da Rua Calixta Maciel). Viver um amor de juventude no interior é experimentar uma poesia pura, onde o tempo parece passar mais devagar. Os desígnios da vida e o imperativo dos estudos exigiram que eu mudasse para São Luís em 1999. Contudo, o destino, que é o maior de todos os roteiristas, já havia traçado as nossas linhas de forma indelével. Tempos depois, nos reencontramos nas avenidas da capital. Aquele afeto nascido às margens do Mearim resistira à distância. Nos casamos, formamos a nossa família, e tê-la ao meu lado hoje, compartilhando a vida, é a prova cabal de que as melhores, mais duradouras e mais belas coisas da minha vida têm a sua semente plantada em Vitória do Mearim.

E como esquecer as ricas paisagens que emolduraram essa minha juventude? Ao fechar os olhos, a topografia afetiva da minha infância se descortina com a nitidez de uma pintura. Recordo-me, com uma saudade que inunda o peito, dos imensos campos de juncos da Cotia e do Jaguary, balançando em harmonia com a brisa nordeste. O Igarapé do Jaguary, com suas águas vivas, era o nosso refúgio sagrado. E que dizer das nossas inesquecíveis pescarias de jejus e carambanjas? A cada rede lançada, a cada linha puxada, não havia apenas a busca pelo alimento, mas a alegria eufórica, a algazarra da meninada e a comunhão absoluta com a generosidade do nosso ecossistema. A paisagem vitoriense não estaria completa sem o som inconfundível do vento roçando as palhas dos nossos majestosos cocos babaçus. Aqueles palmeirais eram as sentinelas silenciosas das nossas brincadeiras, o símbolo máximo da riqueza natural e da resistência da nossa Baixada Maranhense.

Nessa sinfonia vibrante da natureza local, misturava-se a minha própria e arrebatadora descoberta da música. Trago gravada de forma indestrutível na memória a Igrejinha Assembleia de Deus, singela e sagrada, situada ali na Rua Calixta Maciel. Foi naquele ambiente de fé, de louvor e de comunidade que a arte musical despertou em mim. Sentado naqueles bancos, com o coração acelerado e a mente focada, aprendi a tirar os meus primeiros acordes de guitarra, muito antes de pegar a estrada para São Luís. A música abriu-me portas no mundo, serenou o meu espírito e, acima de tudo, concedeu-me irmãos que a vida se encarregou de eternizar.

E por falar em irmãos que a música me deu, é impossível não recordar do meu inestimável amigo e irmão Mauro Sérgio. Um talento indescritível, um filho da nossa região que se agigantou para o mundo, consagrando-se como um dos maiores baixistas do Brasil. A trágica pandemia de Covid, que ceifou tantos sonhos e cobriu o nosso tempo de luto, levou o Mauro de forma abrupta e dolorosa. A sua partida calou fisicamente o seu contrabaixo, mas a sua amizade genuína, o seu sorriso largo e o seu irretocável legado artístico ecoarão perpetuamente em minhas lembranças. Tenho a mais profunda convicção de que, um dia nos veremos novamente.

Por carregar Vitória do Mearim de forma tão visceral na minha alma; por sentir que o meu sangue pulsa e flui no exato ritmo das águas do nosso rio, decidi, um dia, transformar essa geografia sentimental em palavras. Pedi licença à poesia para tentar eternizar as cenas, as cores e as emoções que acabo de descrever. E é neste momento solene, acolhido pelo afeto de Vossas Excelências e da minha comunidade, que peço a honra de declamar a poesia que escrevi para a nossa cidade. Um poema que é, na sua essência, o mapa do meu próprio coração:


Sobe naquela árvore

Olha distante

Vê se avista aquela terra

Molhada de lembranças

Das mangueiras do Felisberto

E diz ao meu coração

Que tu vês as cenas

E cada foto

Das mangas

E sais

E tempero seco

Torrado

Socado

Debaixo dos Tamarindeiros

Pitombeiras e azeitoneiras

Depois

Olha para o lado

Vê se avista também

As águas do mearim

Descendo rio abaixo

E diz ao meu coracao

Se ainda estampa cada nado

Cada banho

E remada

Nas canoas

De Domingos e festas

Nas ondas dos garités

Sobe alto

Olha distante

Cada figura

Abraça os amigos da minha juventude

Fotografa cada esquina

Os bloquetes por mim pisados

Amassados

Passados

Pedalados

E sorridos

Vê se olha, também

Cada Beijo cuspido

Nos amores que deixei

Nas esquinas

No beco do padre

No canto escuro

Na rampa

E nos bancos da matriz

Sussurra alto

Um dobrado chorado

Para se fazer ouvir

As quadrilhas

Os festejos

O cheiro dos lindos setembros

No coreto de Nazaré

Agora desce

Antes, dá adeus à pororoca

Aos camapuns nas capoeiras

Às coivaras

Às pipas de cerois

Perdidas nas lanceadas

Das tardes quentes

Aos urubus, por que não?

Às graúnas nos juncos da Cotia

Gralhando ao meio dia

Não esquece de acenar

À multidão

No desfile

Fotografar a baliza

Puxar a barba da velha

E acompanhar a procissão

Não se esqueça de dizer

A essa cidade

A minha cidade maravilhosa

Do meu amor

Da minha paixão

Do orgulho

De ser nascido nesse chão

De ter vivido o amor

Em cada canto desse torrão.

Senhor Presidente, caríssimos acadêmicos e confreiras.

Essa mesma terra maravilhosa que inspira o lirismo apaixonado desses versos, esse mesmo torrão que embalou a minha infância descalça, é, também, o palco grandioso e ancestral de uma das páginas mais heroicas da história colonial do Brasil. A imensa honra de ingressar nesta Casa ganha contornos de quase assombro diante da responsabilidade cívica de ocupar a cadeira que tem como patrono uma figura de dimensões colossais: o grande revolucionário Manuel Beckman, o nosso inesquecível Bequimão.

A história fundacional de Vitória do Mearim e a épica trajetória de vida de Manuel Beckman estão intima, fisica e tragicamente entrelaçadas pelas águas e pelas matas do nosso município. Muito antes da fundação oficial de nossa paróquia e do delineamento da nossa sede municipal, o Vale do Mearim já era o palco principal do trabalho árduo, das angústias e do sacrifício derradeiro do meu patrono.

Manuel Beckman nasceu em Lisboa, na distante Europa, no ano de 1630. Trazendo no peito uma visão de mundo larga, audaciosa e pioneira, ele cruzou o oceano, radicou-se no Brasil e escolheu, dentre todas as infinitas extensões de terras possíveis neste país continental, exatamente a nossa região do Rio Mearim para plantar a sua vida e construir o seu legado.

Neste ponto, a história do herói nativista funde-se irrevogavelmente com a geografia da nossa terra natal. Foi aqui que Beckman estabeleceu a sua imponente Fazenda Vera Cruz. Este local, cujas terras férteis outrora abrigaram o seu engenho de açúcar, encontrava-se situado nas proximidades da nossa atual Vitória do Mearim, em uma região, segundo valiosos relatos colhidos por historiadores ainda no século XIX. A ligação de Beckman com o Mearim, portanto, não era a de um administrador distante, alheio aos sofrimentos do povo; ele vivia fisicamente esta terra, sofria com o seu clima e dela extraía o sustento de muitos.

Para compreendermos a magnitude da revolta que o imortalizou para a posteridade, precisamos mergulhar no desespero que tomou conta da capitania. No final do século XVII, o Maranhão vivia um período de profunda penúria, abandono institucional e estagnação econômica. A partir de 1681, como se o abandono humano não bastasse, uma seca implacável e terrível começou a castigar o Nordeste, e o nosso Maranhão sentiu severamente o duro golpe do clima. O engenho de Beckman, aqui no Mearim, foi duramente atingido.

Sem as chuvas essenciais para a lavoura canavieira, o engenho paralisou. No entanto, demonstrando a inesgotável capacidade de reinvenção que o caracterizava, Beckman não se deixou abater. Ele olhou para a nossa geografia, aproveitou inteligentemente as vastas margens do caudaloso Rio Mearim, e lá concentrou seus currais e pastagens. Passou, então, a fabricar queijos como um meio heroico de sustentar a economia da sua fazenda durante a crise devastadora.

Foi exatamente sobre esse cenário de seca e fome que a Coroa portuguesa, no ano de 1682, desferiu o golpe fatal contra a economia local: a criação da Companhia Geral de Comércio do Maranhão. O famigerado monopólio, ou estanco. A promessa oficial era a de trazer suprimentos vitais da Europa, mas a realidade foi um cruel pesadelo colonial. A Companhia vendia produtos adulterados a preços extorsivos e comprava o suor e a produção dos nossos fazendeiros por valores irrisórios, estrangulando por completo a sobrevivência da região. O povo maranhense se viu encurralado entre a miséria e a tirania.

E é aqui, Senhoras e senhores, que a nossa Vitória do Mearim entra definitivamente, com letras de ouro e sangue, para os anais da Revolta. Foi na Fazenda Vera Cruz, em nosso próprio solo, margeado pelas águas que tão bem conhecemos, que as primeiras e mais importantes articulações do movimento revolucionário aconteceram.

A revolta não nasceu nos gabinetes palacianos da capital; ela germinou aqui. Beckman presidiu, no silêncio estratégico do seu engenho no Mearim, reuniões secretas com outros líderes indignados. E em um golpe de sagacidade admirável, para despistar a rígida vigilância e os espiões do governo colonial, os planos de insubordinação e as convocações para o motim eram escritos em pequenos bilhetes de papel, cuidadosamente ocultos no interior dos grandes queijos fabricados ali mesmo, na fazenda, sendo despachados de forma clandestina pelo rio até chegarem à cidade de São Luís.

Graças a essa formidável articulação forjada na nossa terra ribeirinha, na noite de 24 de fevereiro de 1684, incitados pela indignação e inflamados pelos sermões de denúncia, os revoltosos tomaram São Luís. Depuseram as autoridades corruptas, aboliram o estanco da Companhia de Comércio e instauraram uma Junta Geral de Governo. O levante de Beckman antecipava o grito de liberdade da América Portuguesa.

Contudo, a máquina bélica e implacável do império português logo contra-atacou. Em 1685, Gomes Freire de Andrade desembarcou com pesadas tropas para esmagar o levante e restaurar a ordem opressora. Com a capital retomada e sua cabeça posta a prêmio, Manuel Beckman precisou fugir às pressas.

E para onde o grande e destemido líder correu em busca de refúgio? Para onde ele olhou quando a morte lhe rondava? Ele retornou para o coração da sua história. Veio se refugiar nas densas matas do Mearim, buscando o asilo seguro de seu próprio Engenho. O nosso solo, que havia sido o berço do seu sonho de liberdade, tornava-se agora o seu último santuário.

O desfecho, porém, foi manchado pela mais repulsiva das covardias humanas. Beckman não foi vencido em um combate honrado. Ele foi tragicamente delatado e caçado dentro das terras do Mearim por Lázaro de Melo, um homem que era seu próprio afilhado, a quem Bequimão havia criado, protegido e elevado na vida. Movido pela ambição desmedida e pela promessa de recompensa real, o traidor guiou as tropas até o esconderijo do padrinho. Dali, capturado em nossa região, o herói fez a longa, humilhante e dolorosa viagem de volta a São Luís, agora carregado de pesadas correntes de ferro, caminhando com a altivez dos grandes mártires rumo ao cadafalso.

Julgado de forma sumária e manipulada, foi condenado à forca. Uma morte projetada pelo poder absolutista para ser vil, aviltante, estigmatizante, desenhada para apagar a sua honra e amaldiçoar para sempre a sua descendência. A execução foi consumada em 10 de novembro de 1685.

Mas a tirania cometeu o seu erro histórico mais grosseiro. Ao pendurar Manuel Beckman pelo pescoço, não o silenciaram; forjaram o nosso mito fundador. Beckman subiu os degraus do patíbulo transformando-o num altar sagrado de patriotismo. Suas últimas palavras, declarando que pelo povo do Maranhão morreria contente, ainda hoje ecoam poderosas e invencíveis pelas mesmas margens do nosso Rio Mearim que abrigaram os seus sonhos.

Hoje, a forca desapareceu nas brumas do tempo, mas a glória do seu sacrifício é imortal. Bequimão é reverenciado como o protomártir da nossa Independência, dando nome ao Palácio sede do Poder Legislativo do Estado.

Senhoras e senhores,

Ao assumir esta cadeira, eu não recebo apenas um título literário ou uma honraria passageira. Eu recebo o dever sagrado de abraçar a bravura de Manuel Beckman. A resistência que ele demonstrou no século XVII — articula.








30/04/2026

COM O APOIO DA DEPUTADA SOLANGE ALMEIDA VITÓRIA DO MEARIM RECEBERÁ O PROJETO FAZER + NESTE DOMINGO

 A população de Vitória do Mearim receberá, no próximo domingo, 03 de maio, uma grande ação social voltada ao bem-estar e à saúde da comunidade. O Projeto Fazer+, promovido pela Deputada Estadual Solange Almeida, acontecerá no Centro de Ensino Maria Graciana Pinto Costa (Vila Reginaldo Rios), das 08h às 12h.

O evento é definido como "a maior ação de cuidado e compromisso com as pessoas" da região, reunindo uma vasta gama de atendimentos especializados de forma totalmente gratuita.

Serviços e Especialidades

O mutirão contará com profissionais de diversas áreas para garantir um atendimento humanizado e completo. Confira o que estará disponível:

Saúde Médica: Clínico Geral, Pediatra, Ginecologista e Geriatra.

Saúde Multiprofissional: Dentista, Nutricionista, Psicóloga e exames laboratoriais.

Beleza e Autoestima: Corte de cabelo masculino e o "SPA da Beleza" (com limpeza de pele, design de sobrancelha e SPA dos pés).

Compromisso com a Comunidade

A iniciativa busca facilitar o acesso a serviços essenciais que, muitas vezes, possuem longas filas de espera. Segundo a organização, o objetivo é levar dignidade e cuidado preventivo diretamente aos bairros, fortalecendo a rede de apoio ao cidadão.

Serviço:

Evento: Projeto Fazer+ em Vitória do Mearim

Data: Domingo, 03 de Maio

Horário: Das 08h00 às 12h00

Local: Centro de Ensino Maria Graciana Pinto Costa (Vila Reginaldo Rios)

Custo: Totalmente gratuito

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29/04/2026

PROJETO DA VEREADORA MARCIONEIDE QUE CRIOU O GABINETE COMPARTILHADO É PREMIADO EM BRASÍLIA

O projeto da vereadora Marcioneide, responsável pela criação do Gabinete Compartilhado, foi reconhecido nacionalmente e premiado em Brasília. A iniciativa se destaca por propor uma atuação suprapartidária , reunindo 10 gabinetes aderentes em uma lógica de cooperação, diálogo e construção coletiva.

Mais do que uma proposta administrativa, o Gabinete Compartilhado aproxima o poder público da comunidade, amplia a escuta ativa da população e fortalece a participação cidadã nas decisões. Com isso, rompe práticas tradicionais e se consolida como um pensamento inovador na política maranhense, apontando caminhos mais transparentes, colaborativos e conectados com as reais demandas sociais.



HÁ 300 ANOS, A PAZ COM OS BARBADOS: EPISÓDIO CRUCIAL DA ORIGEM DE VITÓRIA DO MEARIM

                                       Por: Washington Luiz Maciel Cantanhêde

Permita-me que lhe conte um pouco dessa história de 300 anos atrás, pedaço de uma crônica esquecida pela sucessão das gerações e que, felizmente, a decifração de velhos documentos, hoje disponíveis para pesquisa, possibilita que seja resgatada.

Era o ano de 1726. 

Em uma área do Rio Mearim situada entre as atuais cidades de Vitória do Mearim e Arari, habitava há cerca de dez anos o português Vitoriano Pinheiro de Meireles.

Morador de Belém do Pará, onde era militar e tinha posses, e casado com uma neta do falecido Vital Maciel Parente, que tinha sido capitão-mor do Maranhão e dono de engenhos no Itapecuru e no Mearim, ele fora seduzido pelo governador Cristóvão da Costa Freire (1707-1718) a mudar-se para a ribeira do último com toda a sua família. Na região, levantou dois engenhos reais de fabricação de açúcar, também núcleos de resistência aos ataques indígenas que tinham inviabilizado, até aquele momento, a efetiva colonização da região. Um desses engenhos, o mais importante, foi erigido sobre os escombros do que outrora pertencera a Vital Maciel Parente. 

Na verdade, do início da ocupação do Maranhão até então, as margens do Mearim estavam ocupadas por moradores afastados uns dos outros, exceto no lugar chamado Sítio, sede da Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré, criada em 1723, onde se concentravam alguns, e ocupadas somente ao longo de poucas léguas após a sua foz, totalizando menos de cem portugueses.

A presença marcante de Vitoriano de Meireles, com família, muitos agregados, empregados e escravos seria, portanto, fator decisivo para a mais larga ocupação portuguesa da Ribeira do Mearim. Sua luta, porém, não vinha sendo nada fácil até aquele ano de 1726, a começar pela omissão da Coroa na concessão dos incentivos e benefícios que, de praxe, em situações como aquela, Sua Majestade costumava fazer, os quais lhe tinham sido prometidos. 

Vinham sendo intensas, na década de 1720, as incursões portuguesas para neutralizar a ofensiva de várias nações indígenas do Maranhão, a exemplo dos ferocíssimos Barbados, que então habitavam uma região entre o Itapecuru e o Mearim, donde partiam para o ataque aos estabelecimentos coloniais portugueses das margens deste rio. Nos engenhos de Vitoriano, exatamente por isso, para defender-se, todos viviam de armas nas mãos.

O padre italiano Gabriel Malagrida, da Companhia de Jesus, sacerdote que servia à Coroa Portuguesa, abraçara, com todo o risco inerente a isso, a missão de catequizar os Barbados no final de 1725. Para chegar até eles, o jesuíta saiu da Aldeia de Maracu (hoje, cidade de Viana), desceu o Pindaré até a confluência com o Mearim, e por este subiu até o engenho de Vitoriano, parada necessária para descanso apropriado, eventual obtenção de reforço humano (um guia ou um “língua”, por exemplo) e indispensável coleta de orientações e víveres.

Muito sofreu Padre Malagrida naquela missão, haja vista a rebeldia constante dos indígenas, que, apesar de presenteados materialmente e assistidos espiritualmente pelo missionário, o tratavam com ferocidade, negando-lhe alimento, subtraindo-lhe os pertences e até tentando contra a sua vida. 

Ao fim da malograda tentativa de catequese, a fuga improvisada do jesuíta, diante da morte que lhe era anunciada, levou-o, com dois jovens nativos que lhe eram fiéis e um português, que o acompanhavam, a vagar errante pelas matas, até chegar à margem do Mearim, que já não esperavam encontrar, de onde partiram em duas toscas jangadas fabricadas pelos indígenas, descendo o rio ao sabor das correntezas, espreitados e ameaçados pelos Barbados, e escapando da morte por afogamento, até chegarem aos estabelecimentos portugueses.

Mas essa foi a última grande hostilidade feita pelos Barbados aos portugueses. Logo, uma tropa seria organizada pelos lusos para dar-lhes guerra, sob o comando do capitão Francisco de Almeida, com a participação de indígenas da Serra da Ibiapaba, Tupinambás, Guajajaras, Palajases e de outras nações. Após alguns combates, conseguiram vencer definitivamente os Barbados.

Nos dias 30 de março e 27 de abril daquele ano de 1726, em São Luís, capital do Maranhão, no palácio do governador e capitão-general do Estado, João da Maia da Gama, reúnem-se com este várias autoridades eclesiásticas (jesuítas, franciscanos, carmelitas e mercedários), civis e militares, além de indígenas principais da Aldeia Grande e da Aldeia Pequena dos Barbados, bem como dos seus aliados das aldeias dos Guanarés e dos Aroazes.

Constou em documento que tinham estes comparecido para pedir que se lhes “admitisse a pazes”, amedrontados, depois de vencidos na guerra, comprometendo-se a vir, com os seus, para o arraial dos portugueses levantado no Rio Mearim (para “servir a Sua Majestade, que Deus guarde, com os seus parentes que eram já vassalos do dito Senhor” junto ao Arraial de São José do Mearim, e debaixo das armas dele).

Celebrada solenemente a paz, de tudo foram lavrados os competentes termos de pazes pelo escrivão comissário da Ouvidoria Geral. Assinaram-no, além do governador e capitão-general, as outras autoridades e, pelos líderes indígenas e intérpretes, que não sabiam ler nem escrever, o escrivão da Câmara. Estiveram presentes, representando as nações até então hostis: no dia 27, Parapupaya ou Curu - principal da Aldeia Grande dos Barbados, Anguty ou Anuty – principal dos Aroazes, e Curiju – principal da aldeia dos Guanarés; e no dia 30, Murucu – maioral dos Guanarés, e Cabatuna – um dos principais da Aldeia Pequena dos Barbados, representando o maioral Vacudé. 

São Luís do Maranhão comemorou festivamente aquela conquista.

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Ante a solicitação dos próprios indígenas derrotados, partiu Gabriel Malagrida para nova missão entre os Barbados. A desconfiança recíproca, contudo, ainda era grande e nada garantia o seu sucesso, sequer a volta dos que se aventurassem nela. 

Ainda assim, Vitoriano Pinheiro de Meireles enviou para a missão, como acólito de Malagrida, seu filho de 11 anos de idade, chamado José, ciente de que, na prática, a criança ficaria em poder dos Barbados na condição de refém. Era uma prova de sua boa vontade, do seu desejo de estabelecer paz duradoura com os nativos. 

A esse tão corajoso quanto diplomático gesto do senhor de engenho associou-se a ardente caridade do jesuíta, vivendo em pobreza entre os Barbados, pregando e lhes dando assistência. O resultado não tardou: enviaram os chefes indígenas seus filhos para o engenho de Vitoriano, igualmente na condição de virtuais reféns. 

Mas como o português os tratasse tais quais filhos, em pouco tempo, no seu engenho, encontravam-se os próprios chefes e suas famílias, hospedados com fidalguia por aquele homem de larga visão. É tocante o relato que desse episódio memorável da história da colonização do Mearim, e da própria história do Maranhão, fizeram os padres jesuítas que dele tomaram parte, inclusive Malagrida.

Iniciava-se a paz duradoura no baixo curso do Mearim. 

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Poucas décadas depois, já haviam, Rio Mearim acima, surgido pequeninos povoados nas paragens de além do engenho de Vitoriano Pinheiro de Meireles, que depois passaria a ser chamado de Engenho Grande, nome pelo qual ainda hoje é denominado o povoado que surgiu no lugar. Um daqueles lugarzinhos era o Arraial de São José. 

Outro lugarzinho, na vizinhança, crescia bastante após a paz com os Barbados. Viria a ser o maior de todos. Estava localizado em um sítio relativamente alto daquela região ribeirinha de margens a pique e, exatamente por isso, estava vocacionado a ser o principal da região da Ribeira do Mearim. 

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O padre Gabriel Malagrida, um dos mais completos missionários jesuítas do período colonial, crítico, a seu modo, dos costumes portugueses, foi perseguido pelo Marquês de Pombal, espécie de primeiro-ministro do Reino de Portugal na época. Acusado de heresia, em razão do conteúdo de obras escritas no cárcere, Pombal acionou o Tribunal da Inquisição de Portugal para condená-lo. Obtida a condenação, com grilhões nos pulsos e freio na boca, Malagrida foi estrangulado e queimado, da noite do dia 20 à madrugada do dia 21 de setembro de 1761. 

Vitoriano Pinheiro de Meireles, o grande senhor de engenho da Ribeira do Mearim, estava, até agora, esquecido na história do Mearim. 

O menino José, seu filho – na idade adulta, conhecido como José Pinheiro de Meireles Maciel Parente (adotou o sobrenome materno como o principal), capitão-mor da Ribeira do Mearim e um dos primeiros juízes ordinários do Julgado do Mearim –, com largo trânsito entre os índios da região, teve, pelo menos, um filho com uma indígena, Antônio Felipe de Meireles, que, rico no final da vida, radicou-se em São Luís, onde deixou descendência. 

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O lugarzinho da vizinhança do Arraial de São José, a paragem Vitória, logo seria conhecido como Arraial da Vitória, passaria a ser a sede da Freguesia de Nossa Senhora de Nazaré (pois o lugar Sítio se revelara impróprio para essa finalidade), a sede de um julgado (criado em 1747) e também a sede do primeiro município do Mearim (criado em 1833), tornando-se, com o avançar da procissão dos séculos, a cidade de Vitória do Mearim, assim denominada oficialmente cerca de duzentos anos depois, em 1948. 

Quando o lugar ainda era Arraial da Vitória e a construção da nova igreja matriz da Freguesia nele estava ocorrendo (seria inaugurada em novembro de 1784), foi no interior desta que se deu, em meados de maio de 1781, o sepultamento de alguém que sempre morou na Ribeira do Mearim e, em seus últimos dias, morava naquele arraial. 

Merecidamente, foi um dos primeiros cujos restos mortais passaram a repousar no templo.

Chamava-se José Pinheiro de Meireles Maciel Parente.

REUNIÃO INFORMATIVA DO BANCO DA AMAZÔNIA COM EMPREENDEDORES DE VITÓRIA DO MEARIM

 O Banco da Amazônia em parceria com a Sala do Empreendedor de Vitória do Mearim realizará uma reunião voltada para a linha de crédito destinada aos empreendedores do município.



28/04/2026

EXPEDIÇÃO CAMINHO DAS CORRENTES AGITOU O FINAL DE SEMANA NO RIO MEARIM


A Expedição Caminhos das Correntes foi realizada neste fim de semana, sábado e domingo, reunindo participantes em uma jornada especial pelas águas do Rio Mearim. O trajeto teve início em Vitória do Mearim e seguiu até Penalva, na região da Baixada Maranhense.

O evento contou com a participação de aventureiros e amantes da natureza, que percorreram o rio em jet skis, promovendo integração, turismo e valorização das riquezas naturais da região. Durante o percurso, os participantes puderam apreciar paisagens típicas da Baixada, com sua diversidade de fauna e flora, além de vivenciar de perto a cultura das comunidades locais.

A Expedição Caminhos das Correntes já se consolida como um evento importante para o fortalecimento do turismo ecológico e da identidade cultural da Baixada Maranhense, reunindo pessoas em torno de uma experiência única de conexão com a natureza e com as tradições locais.

A expedição terminou no domingo em Penalva na Baixada Maranhense na praia artificial que foi feita recentemente no município. O empresário João Emanuel que foi um dos organizadores do evento falou que ficou muito feliz com o sucesso da expedição e que a valorização das riquezas naturais da região é muito importante para o turismo local.







PT NACIONAL DECIDE POR CANDIDATURA PRÓPRIA DE FELIPE CAMARÃO AO GOVERNO DO MARANHÃO

O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu, em âmbito nacional, que terá candidatura própria ao Governo do Maranhão nas próximas eleições. O nome escolhido para liderar o projeto é o atual vice-governador do estado, Felipe Camarão, que passa a ser a principal aposta da sigla para a disputa.

A decisão foi confirmada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, que reforçou a estratégia da legenda de fortalecer candidaturas próprias nos estados, especialmente onde o partido possui lideranças consolidadas.

No Maranhão, a escolha por Felipe Camarão representa um movimento de afirmação política do PT, que busca ampliar sua presença e protagonismo na região. Camarão, que já ocupa posição de destaque na atual gestão estadual, é visto internamente como um nome competitivo e alinhado às diretrizes nacionais do partido.

Com essa definição, o PT também deixa claro que não irá apoiar o nome de Orleans Brandão na disputa pelo governo estadual, marcando uma ruptura no cenário político local e redesenhando as alianças para o próximo pleito.

A decisão deve impactar diretamente a configuração das candidaturas no Maranhão, abrindo espaço para novas articulações e possíveis reconfigurações entre partidos e lideranças políticas.

Nos próximos meses, a expectativa é que o PT intensifique a pré-campanha de Felipe Camarão, com agendas políticas, articulações regionais e fortalecimento da base aliada.